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Thursday, October 22, 2009

Dois pequenos comentários ficção-cientifico-cinematográficos

Distrito 9. Não vou falar sobre o filme. Apenas assistam.

Mas aí estava pensando cá com os reflexivos botões e tentando recordar algum outro bom filme de FC antes de Distrito 9, e lembrei de Sunshine. Felizmente eu também não preciso gastar o verbo explicando o que eu acho do filme, porque Tarantino copiou totalmente minha opinião.


Wednesday, August 12, 2009

eu quero agora já!

assistir esse que promete ser o filme mais legal do ano.

mas agora que eu li isso eu quero mais ainda.

que a personagem de Camila Belle usa TURBANTES.
é isso mesmo. TURBANTES.
eu quero ser assim, quando eu crescer.
usar turbantes na rua com naturalidade.
um dia eu consigo.

Thursday, March 26, 2009

Sunday, January 11, 2009

Tuesday, August 5, 2008

Versões e adaptações

Domingo foi um dia quase temático na torre que serve de QG do Samba (sim, é de marfim). Assistiu-se Asas do Desejo, seguido por um episódio de The Office (versão americana); Betty, La Fea também foi assunto de conversas do dia.

Depois de terminado o filme ocorreu uma conversa sobre The Office e a existência de outra versão; sim, originalmente era uma série inglesa que recebeu uma adaptação do outro lado do Atlântico. Diferente de outras tentativas, como Coupling, a versão americana de The Office não foi um desastre total; pelo contrário, até faz sucesso. E é boa. Mas eu comentei que, apesar da versão americana partir dos mesmos elementos, a coisa toda se desenvolve por outro rumo. Não é um remake, realmente.

E o mesmo me ocorreu depois com o filme. Sim, tem aquele americano Cidade dos Anjos, do qual não posso falar mal aqui mas enfim, é bem diferente. Chego a dizer que é outro filme. Usaram-se alguns elementos e plot points de partida do filme de Wim Wenders, mas daí o resultado é completamente outro. Será que é mesmo possível dizer que Cidade dos Anjos é uma versão de Asas do Desejo?

Essa é a questão que passo aos leitores que ainda visitam esse blog de vez em quando. Minha resposta tende ao negativo, digo logo. Mas outra questão para vocês é a seguinte: tem nada pra fazer não? Quanto tempo que isso não é atualizado, e ainda está vindo aqui?

Wednesday, January 9, 2008

Mais do mesmo, sempre o mesmo

Só agora percebo as conexões entre quatro filmes que eu adoro. O engraçado é que uma delas eu fiz há muito tempo, mas as outras eram bastante óbvias e passaram batido total. Só agora, revendo Lost in Translation, é que completei a rede toda. E foi em duas cenas sem muita importância que eu vi as conexões, ou referências, chamem como quiserem, aparecerem. A primeira cena foi aquela em que Charlotte e Bob assistem juntos La Dolce Vita. A segunda cena foi uma mais rápida ainda, no bar do hotel deles, quando a cantora ruiva interpreta Scarborough Fair. Aí, nessa hora eu entendi tudo e me emocionei. E Teca, que via o filme comigo não entendeu nada e achou absurdo eu chorar com uma besteira tão grande. Explico-me.

Ano passado eu li um livro que me virou do avesso e me chacoalhou até eu cair toda no chão e ficar vazia. É claro que, na mesma hora, tornou-se ele meu livro preferido, desbancando da posição o honorável O Amor nos Tempos do Cólera. Eu comecei a ler cheia das maiores expectativas possíveis, influenciada por uma pessoa cuja opinião eu considero muito, e que também virou do avesso quando leu. O livro foi Norwegian Wood, de Haruki Murakami. Mas é preciso ter muita calma nessa hora.

Porque eu não estou indicando esse livro aqui. Não é uma resenha elogiosa esse texto. O que ocorre é que eu acredito muitíssimo naquela coisa de ler o livro certo no momento certo. De O Amor nos Tempos do Cólera eu teria gostado em qualquer momento da minha vida que eu tivesse lido, porque Gabriel Garcia Márquez é meu escritor preferido, e eu estou de tal forma envolvida com a obra dele que consigo amar mesmo os livros menores. O mesmo ocorre com Clarice Lispector, minha escritora brasileira preferida. Qualquer coisa que eu leia dela eu acho genial. E me identifico com tudo, sempre. Mas isso não vale, é claro, pra qualquer escritor. E obviamente não seria o caso de um japonês desconhecido.

O fato é que, dessa vez, aconteceu. Eu caí de amores pelo livro antes do final do primeiro capítulo, e soube logo que aquele era o livro da minha vida. É preciso dar um desconto grande quando eu falo isso, porque eu acredito que terei muito tempo pra ler muitas coisas ainda. Mas enfim, por enquanto, é o livro da minha vida sim. Porque fala de coisas que nesse momento me são muitíssimo familiares, é praticamente como se fosse um livro sobre mim, embora o personagem seja homem, adolescente e more em Tóquio. Não importa. A questão é a seguinte: não leiam Norwegian Wood. É uma identificação minha entendem? Não significa que é um livro genial. Mas nesse mérito, se é genial ou se é uma porcaria, eu não vou entrar aqui. Mesmo porque a estória que eu queria contar era outra. E era sobre filmes e não livros.

Pois muito bem. Eu li o livro e amei e me identifiquei e blá. Não fosse o bastante, eu me apaixonei por Toru Watanabe, o personagem principal, estudante de artes cênicas nascido em Kobe, no Japão. Me apaixonei por Toru e comecei a imitá-lo em um monte de coisas. Li os dois livros preferidos dele, O Grande Gatsby e Lorde Jim, e vi o filme de Gatsby, com Robert Redford e Mia Farrow. Depois vi o filme preferido de Toru, The Graduate. E passei a ouvir sem parar a trilha de The Graduate, em especial The Sounds of Silence e Scarborough Fair, as duas de Simon & Garfunkel, que, não por acaso eram as músicas preferidas de Toru, depois de, é claro, Norwegian Wood, dos Beatles. Enfim, eu surtei de vez por causa desse menino, como vocês podem constatar.

Tá, onde é que entram os filmes, vocês todos me perguntam juntos nessa hora. Entram no momento em que eu ouvi Scarborough Fair lá em Lost in Translation, ligando esse filme a The Graduate, e na cena em que Charlotte e Bob assistem juntos La Dolce Vita, ligando Fellini a Sofia Coppola e a Mike Nichols (de The Graduate). Aí agora é que entra a primeira conexão, que eu fiz há muito tempo, entre Maria Antonieta (De Coppola também, é sabido) e La Dolce Vita, porque foi só em que eu me lembrei enquanto via Kirsten Dunst comendo brioches e provando sapatos coloridos lá em Versailles, foi em Anita Eckberg tomando banho de noite na Fontana di Trevi, com aquele vestido preto tomara-que-caia que ninguém nunca mais na história do cinema esquecerá.

Porque vejam só. Os quatro filmes _ os dois de Coppola, o de Fellini e o de Nichols _ falam exatamente da mesmíssima coisa. A vida, cheia, repleta, abarrotada de luxos e prazeres e excessos, e que mesmo assim não tem sentido nenhum, por mais que se procure, e que é tão vazia, mas tão completamente vazia, oca, estéril, que faz com a gente só queira mesmo ficar sentada na janela, olhando a cidade lá embaixo, ou enchendo a cara o tempo todo no bar do hotel, ou dormindo ao sol na beira da piscina, ou aloprando de vez e entrando de vestido de festa e tudo numa fonte de praça, suja e fedorenta. E a coisa de crescer, a parte mais insana da vida, de sair de casa, do ninho, do próprio país e ganhar o mundo e ter que enfrentar tudo sozinho agora e ter que dar conta e casar e ter filhos e achar seu caminho e seu lugar e se satisfazer com ele e ser feliz, essa obrigação penosa.

A mesma dor, o mesmo drama, a mesma piada sem nenhuma graça, nos quatro filmes. Tudo tão familiar pra mim que chega dói. Temei, hein pessoal, o cinema, temei.

Monday, June 25, 2007

Novo filme de Audrey Tautou

Este é o cartaz de Becoming Jane, filme que será lançado em breve. Mais uma cinebiografia para a coleção, desta vez da escritora Jane Austen. Na foto, podemos ver Audrey Tautou, a eterna Amélie, abraçada com quem quer que seja o ator que fará o interesse romântico dela no filme. Só que ali nos créditos não aparece Audrey Tautou, e sim Anne Hathaway, aquela de O Diabo Veste Prada.

Acho que alguém se enganou aí, ou elas brincaram de "eu faço seu cartaz e você faz o meu". Tudo bem, eu sei que não tem graça. Mas a observação procede.

Tuesday, April 17, 2007

Ilha das Flores

Bruno já falou sobre o curta de Jorge Furtado em dois posts recentes. Aqui vou apenas apontar os links para quem quiser assistir o curta. Tem em duas opções: YouTube e Google Video.

No YouTube, por conta do limite de tempo nos vídeos, ele está em duas partes: Parte 1 e Parte 2. A qualidade é razoável.

No Google Video tem ele inteiro aqui. Por questões da estratégia de negócios do Google, o vídeo no site tem qualidade ruim. O negócio é baixar o Google Video Player e assistir nele, com qualidade maior. E o player ainda baixa o vídeo para sua máquina, embora em um formato que não dá para assistir em outros players.

De qualquer forma, seja YouTube ou Google, é melhor do que ver no PortaCurtas.

Wednesday, April 11, 2007

Infantil, mesmo

Se você tem uma criança pra levar ao cinema, ou seja, um motivo real e concreto para ir até lá, então vale a pena assistir Arthur e os Minimoys, a semi-animação de Luc Besson, ele mesmo, o super cult diretor francês que resolveu inovar.

Se você não tem uma criança pra levar ao cinema, não assista. Espere passar na tv num dia em que você estiver à toa na vida. Isso porque, veja bem, não é um filme ruim, mas você não vai perder nada demais se não assistir.

Só tem duas coisas que eu sublinharia nessa produção _ as vozes de Madonna, Snoop Dogg e David Bowie, nem sempre fáceis de encontrar nos filmes por aí, em especial nos filmes infantis; e os maneirismos franceses, esses sim, dificílimos de encontrar em filmes infantis. Crianças que namoram, consomem bebidas alcóolicas suspeitas (verdes e fumacentas) e dançam colados ao som de reggaes e raps. Duvido que um filme americano pra crianças escapasse no policiamento que assola aquele país e deixasse detalhes como esses passarem batidos. Só um europeu pra conseguir o feito mesmo.

Bem, talvez isso já valha o filme.

Friday, April 6, 2007

Uma adolescente perdida no século XVIII

Maria Antonieta é um filme interessante por ter várias cenas interessantes de se ver, de perceber como Sofia Coppola abordou a construção de cada uma delas, e da relação entre elas para construir a personagem do título.

Mas interessante não é necessariamente bom: ficou faltando algo. Hora de falar chique: ficou faltando a qualidade da Gestalt, do todo ser maior que simplesmente a soma das partes. Ou a coisa que o arquiteto Christopher Alexander chamou de qualidade sem nome. É aquela unidade de propósito e idéias que traz grande beleza a algum produto humano, seja um filme, um prédio ou uma teoria matemática.

Pode ter sido problema de expectativa, já que eu costumo não ler nenhuma resenha antes de ver um filme. Ou eu posso ter achado mais difícil me identificar com a personagem, ao contrário de Encontros e Desencontros. Talvez eu até goste mais dele se assistir uma segunda vez. Mas, de primeira, achei interessante. Cheio de coisas interessantes. Mas não realmente bom.

E tenho certeza que minha sócia gostará bem mais do que eu.

Friday, March 30, 2007

Fantasia intimista

Animações 3D com bichos, filmes baseados em heróis de quadrinhos e fantasia infanto-juvenil. A Santíssima Trindade da Hollywood atual, os filmes que dão lucro, que recuperam o dinheiro gasto com a maioria dos projetos que dão prejuízo -- ao menos na bilheteria. Tudo bem, é como o mercado funciona. Mas confesso que me dá um desânimo quando vejo mais um cartaz com bichinhos tridimensionais em cores vivas naquele clima de futura Sessão da Tarde. E eu sempre gostei de animação, seja tradicional ou 3D, mas por favor, tentem algo diferente de vez em quando. A repetição cansa.

Por força de ter sido produzido por algumas das mesmas empresas que trouxeram as Crônicas de Nárnia ao cinema, Ponte para Terabítia foi intencionalmente promovido como similar a O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, uma fantasia assim para crianças e jovens que se passa em um mundo fantástico de criaturas místicas e lutas de espadas. Um filme para levar as crianças. E foi com essa expectativa que eu entrei na sala de cinema: mais uma fantasia infanto-juvenil. E não só eu, considerando que todos os outros adultos na sala estavam acompanhados de crianças.

Na verdade, Ponte para Terabítia é fantasia para crianças e jovens, e é um filme para levar as crianças. E acredito que seja um bom filme para crianças. Mas aí meia hora depois do começo do filme ainda não tinha aparecido nenhum efeito especial, e eu fiquei questionando minhas expectativas. Ao invés de computação gráfica, desenvolvimento de personagens, essa coisa antiquada. Vai que no final o filme é muito mais uma fantasia intimista, o que quer que isso signifique, do que algo ostensivo como Senhor dos Anéis ou Narnia.

E é aquela história: diverte crianças e adultos igualmente. A história pode ser entendida em mais de um nível, para usar um clichê. Quem for de choro pode levar um lenço, porque dá sim para verter umas lágrimas.

E boas atuações, o que vale mais porque são crianças. No todo é um filme bem feito e bonito. Não falei e não vou falar sobre a história, e é de propósito. Tem crianças e um mundo de fantasia, embora um tanto diferente. Mas eu entrei no cinema sem saber ou esperar muita coisa e saí surpreso e animado, daquele jeito que se sai da sala depois de um filme realmente bom. Talvez só seja possível sentir o mesmo que eu para quem for sem saber nada da história ou do que esperar. Melhor ainda se não ler este post.

Sobremesas são importantes


Match Point é um jantar completo. Scoop não passa de uma sobremesa. Foi o próprio Woody Allen quem forneceu essa definição curiosa _ em entrevista à revista Elle de março _ para seus dois filmes mais recentes, estrelados por sua nova musa (embora ele afirme não saber o que isso significa) Scarlett Johansson.

A opinião daquela que escreve essas linhas? Eu trocaria um jantar completo por uma simples sobremesa com relativa facilidade. Não que eu não tenha gostado de Match Point. Ao contrário, acho que é um filme genial, comparável a Annie Hall, o melhor de Allen pra mim. Mas Match Point carece daquela que é a essência da obra de Allen, a graça inteligente e ácida, mas ainda assim, leve e despretensiosa.

Scoop é assim. Cheio de graça, inteligente, ácido, leve e despretensioso. Scarlett não encarna (ufa!) uma mulher fatal, e isso é uma bênção, porque, no fim das contas, ela é bem divertida, fato esse quase sempre ocultado por suas formas voluptuosas, seus lábios carnudos e seus cabelos loiros.

Talvez eu tenha curtido o filme mais por motivos pessoais. A trama se passa em Londres, e só isso já conta muitos pontos num filme pra mim. O esnobe sotaque britânico, o cosmopolitismo londrino nato, a fixação que os ingleses têm pelo campo, o humor corrosivo e refinado dos servos da rainha Elizabeth. Tudo isso me agrada deveras. Tudo isso Scoop tem. E mais: Scarlett interpreta uma aspirante a jornalista. Uma estudante, vá lá. Identifiquei-me, pronto. Não que eu pretenda ser uma jornalista de verdade um dia, que dirá uma jornalista policial, mas identifiquei-me, é fato.

Gostei de Hugh Jackman também. Me fez esquecer por quase todo o filme que ele é e sempre será Wolverine, uma façanha considerável. Se vocês não associam Hugh Jackman a Wolverine necessariamente, perdoem, mas eu associo sim. Lembrem, eu tenho um filho de 7 anos totalmente fissurado pelos X-Men, e já vi os vários filmes da trupe algumas dezenas de vezes cada um. Pois, nem lembrei de Wolverine. O que me levou a pensar que a atuação do referido senhorito foi relativamente boa.

Outras coisas legais sobre o filme: o roteiro foi escrito sob medida para Scarlett exercitar seu lado comediante. A mim, pelo menos, ela não decepcionou. Scoop é cheio de bons improvisos. Woody Allen sempre diz que toda vez que ele tem uma tirada súbita durante uma cena, a maioria dos atores com quem contracena, por melhores que sejam, não resiste e cai na risada, o que, obviamente, estraga a performance toda. Scarlett entra na dança e responde na hora, sem demonstrar que está se segurando pra não morrer de rir. Scoop ainda tem Allen no elenco. Mais uma que ele não cansa de repetir: está ficando cada vez mais difícil pra ele achar papéis pra ele mesmo dentro de um filme. Allen é um diretor brilhante e um ator bem limitado, como todo mundo sabe, e ele não tem pudores de assumir. Ele é comediante, e só sabe interpretar a figura neurótica da trama. Para tanto, todos os fimes em que ele atua têm obrigatoriamente que ter uma figura cômica neurótica, o que dificulta o desenvolvimento de roteiros levemente diferenciados.

Então é isso. Vejam Scoop. Sem esperar demais dele. Divirtam-se e distraiam-se por 90 minutos de suas vidas atribuladas. E regozijem-se com a figura do mágico Splendini na tela. Pelo visto, vai ficar bem raro ver Woody Allen num filme de Woddy Allen daqui pra frente.