Wednesday, November 28, 2007

notas mentais

1 _ começar a estudar italiano pra valer com o intuito de morar em florença num futuro bem próximo (consequência de estudar arte renascentista italiana);

2 _ parar de só conseguir ver anjinhos gorduchos e encaracolados e brejeiros toda santa vez que se propõe a reparar a forma das nuvens no céu (consequência de estudar arte barroca brasileira);

3 _ não surtar de vez e para todo o sempre porque resolveu ter aulas de história da arte;

4 _ ter muita calma nessa hora.

Monday, October 15, 2007

E me deu até vontade de ver umas pipas no céu por aqui

Eu me considero uma pessoa bem aberta a novas experimentações, culturalmente falando. Não me lembro de ter me recusado a ver um filme, ou ler um livro, ou ouvir uma música, achando que ia ser ruim. Tá, tem coisas que você já sabe que não vai gostar, tipo, detestou "Amarelo Manga", porque raios veria "Baixio das Bestas"? Tirando esses casos, eu vejo, leio e escuto de tudo, no geral.
Aí, depois de ter começado - não exatamente lido até o fim, até agora - um clássico da literatura brasileira e outro da literatura mundial, eu me disse que iria ler um livro pop. Um daqueles da lista de mais vendidos. Afinal, continuo achando difícil que um integrante de uma lista qualquer de mais vendidos seja pior que "O Código Da Vinci". E eu li "O Código Da Vinci". E gostei. Mas essa é outra estória.
Então. Eu tenho uma mãe e uma grande amiga que costumam ler os best-sellers com frequência. Não foi difícil me decidir por "O Caçador de Pipas" de Khaled Hosseini. Interessava a uma - que patrocinou a compra - e emocionou a outra - que apoiou a compra. Comecei a ler sem botar muita fé, pensando comigo que seria um bom passatempo, como "O Código Da Vinci" foi (amigos cults, podem criticar nessa hora, eu deixo. E já prevejo o que vocês dirão..).
Duas páginas depois eu estava aos prantos, amando aquela estória toda, dramática e exótica.
Terminada a leitura, o balanço, aqui e agora. Não é um livro ruim. É passatempo, quase puro e simples, não fosse por uma informação ou outra sobre o Afeganistão que eu desconhecia completamente. Não é um livro ótimo. É meloso e cheio de clichês, e aquela coisa de botar uma palavra em árabe ou farsi em cada frase cansa antes do final do primeiro capítulo. Mas, eu recomendo. Porque é aquela coisa que eu digo sempre, inteligência em tempo integral cansa deveras. Pelo menos a mim cansa. E esse é um livro que se lê de um sopro, sem maiores preocupações, mesmo sendo meio grandinho. Porque "Sagarana", minha gente, eu vou dizer, é pelo menos uma olhada no dicionário a cada parágrafo; e "Lorde Jim", eu vou dizer também, é uma olhada no mapa mundi a cada frase. E agora, nesse minuto eu tou cansada de dicionários e mapas mundi e inteligência e cultura erudita e quero mais é sossego.
Sossego nunca é demais. Às vezes. Não é verdade?

Sunday, August 19, 2007

Vai ter bolão?

Prêmios são divertidos. Eu não só costumo acompanhar o Oscar e outras premiações mais visadas do cinema, como já houve um ano em que acompanhei, via blogs, muito da politicagem envolvida nos bastidores. O problema dos prêmios é quando são levados a sério demais; aí, realmente, há injustiça, e os ganhadores são muitas vezes escolhidos por critérios que têm pouco a ver com o valor artístico da obra (alguém lembra do ano dos negros no Oscar?). Isto é, se é que alguém consegue definir objetivamente o valor de alguma coisa.

Mas, apesar disso tudo, é divertido acompanhar as decisões e louvar ou reclamar dos ganhadores, o que sempre inclui as discussões sobre quem mereceu e quem não mereceu, quem foi esquecido, etc. E nesse momento o prêmio pode até ser visto como desculpa para discutir cinema, ou literatura, ou o que seja. Nenhum prêmio nunca vai ser perfeito, mas eles são frequentemente interessantes.

Lucas Murtinho pensa parecido, e juntou alguns representantes da cartolagem da literatura nacional em torno do projeto da Copa de Literatura Brasileira: 16 livros em um mata-mata de onde só um sairá vitorioso. Vejam mais no site, mas eu com certeza vou acompanhar. O Tournament of Books, inspiração original para a Copa, é bem divertido.

Monday, June 25, 2007

Novo filme de Audrey Tautou

Este é o cartaz de Becoming Jane, filme que será lançado em breve. Mais uma cinebiografia para a coleção, desta vez da escritora Jane Austen. Na foto, podemos ver Audrey Tautou, a eterna Amélie, abraçada com quem quer que seja o ator que fará o interesse romântico dela no filme. Só que ali nos créditos não aparece Audrey Tautou, e sim Anne Hathaway, aquela de O Diabo Veste Prada.

Acho que alguém se enganou aí, ou elas brincaram de "eu faço seu cartaz e você faz o meu". Tudo bem, eu sei que não tem graça. Mas a observação procede.

Thursday, May 31, 2007

En Taro Adun!

Não sou muito da idéia de postar notícias aqui, mas há um conjunto de fatores em ação que resultaram neste post: 1) para manter a coisa fluindo 2) o acontecimento tem significância, pelo menos para mim e 3) porque eu já queria falar sobre games aqui antes; fica como estréia.

A questão é que, há alguns dias, a Blizzard -- empresa que faz uns jogos bem legais como Diablo e Warcraft -- decidiu anunciar uma notícia bombástica em um evento na Coréia do Sul. O lugar tem sua significância, já que os coreanos ficaram tão viciados nos jogos de estratégia da Blizzard que praticamente os transformaram em esportes nacionais. Os campeonatos são até transmitidos pela TV, em horário nobre. E aí todos já esperavam o anúncio de um novo jogo. E as especulações giravam em torno da continuação de StarCraft, o jogo de estratégia em tempo-real mais bem sucedido de todos os tempos, que ainda registra um número de vendas significativo apesar de ter sido lançado há quase 10 anos -- coisa rara no ramo. Dia desses mesmo, vi a caixinha à venda numa mega-store da Saraiva.

O importante, nesse ponto, é notar que especulações e boatos sobre uma continuação de StarCraft aconteciam na internet de forma repetida, transformando esse possível StarCraft 2 em algo como uma lenda, um mito; como aquelas histórias que se você não mandasse X mensagens repetidas para todos da sua lista do msn, a microsoft iria cobrar 10 centavos por cada mensagem enviada, só que mais duradoura.

Mas é que foi, é mesmo StarCraft II. Posso apenas imaginar a comoção nacional causada lá na Terra da Manhã Tranqüila. Não só isso: a Blizzard revelou que o jogo está em desenvolvimento, em segredo, já desde 2003, após o lançamento de Warcraft III. Pelo que eu vi do jogo (tem um vídeo mostrando uma demo do jogo no site) ele realmente está bem encaminhado; deve faltar mais balanceamento estratégico e criação de unidades, o engine gráfico aparenta já estar pronto.

Que venha. Só é uma pena porque ainda não foi anunciada data de lançamento, o que não adiantaria muito mesmo porque a Blizzard sempre atrasa. Com uma data, eu poderia saber com antecedência quando é que minha produtividade vai sofrer um baque. Já posso ver a cena:

"En Taro Adun, Orientador. Não, não terminei de coletar os dados, estive muito ocupado livrando o universo dos Zergs."

Tuesday, May 22, 2007

O futuro da França, e do mundo todo junto com ela

Bruno provocou, no ótimo sentido, claro, (no flog, tudo bem, mas vale) e eu resolvi responder. Porque eu me disse que eu ia falar sobre isso aqui e nem falei. Falo, agora, pois.

Eleições presidenciais na França.

Vou abster-me de comentar a disputa em si e apontar apenas uma coisa com a qual tenho mais intimidade: o comportamento dos franceses diante do processo todo.

Nos dias das duas votações _ de primeiro e segundo turno _ alguns franceses amigos que moram em Campinas reuniram-se aqui em casa pra assistir à cobertura da votação, à divulgação do resultado e ao pronunciamento do(s) vencedor(es). Todo mundo numa ansiedade só, muito vinho pra aguentar a espera, o maior clima de final de Copa do Mundo. E só se falou disso por semanas inteiras. Da participação massiva da população, que superou com folga as marcas das eleições anteriores, e da vitória de Sarkozy, que era tida como certa por quase todo mundo bastante tempo antes do segundo turno, e do que ela representaria, não só para a França, mas para todo o mundo.

Eu poderia dizer que os franceses são mais politizados do que nós, e que acompanham as mudanças políticas de seu país com mais fervor e entusiasmo, mas não é esse o meu ponto.

O meu ponto é: os franceses se acham muito importantes. Claro que isso é horrível, muitas vezes, quem convive com eles sabe bem disso. Mas, em outras vezes, isso é uma prova impressionante de lucidez.

Eles têm perfeita consciência de que a França representa muitos valores que o mundo inteiro tem como fundamentais. Eles sabem que a França ainda é um bastião de resistência contra o autoritarismo, seje ele de que tipo for, ou de onde quer que venha. Têm certeza de que sua cultura e seu modo de vida influenciam, ainda e em grande medida aquilo que se pensa, se produz e se consome por todos os lados.

Vejam bem, eu não estou afirmando que a França representa isso ou aquilo, que é isso ou aquilo, que a cultura francesa faz ou desfaz. Esta é uma mera constatação sobre a visão que os franceses têm deles mesmos.

Pois então. Uma vez que pensam assim, os franceses elegem seus presidentes pensando não só na própria pele, mas também na pele das pessoas do resto do globo. E isso é uma coisa que eu acho muito interessante. Que outro país ou povo tem uma postura como essa diante da humanidade como um todo?

Sarkozy chegou a ser muito temido por suas tendências xenófobas. As pessoas perguntavam-se como ficariam as relações internacionais da França caso ele fosse eleito. Esse pensamento era tão forte que pensadores de todo o país começaram a alertar os eleitores sobre a necessidade de pensar mais na própria França, em sua necessidade de recuperar os índices de crescimento perdidos, coisas talvez possíveis somente com a administração linha dura de Sarkô.

O medo das pessoas deve ter amedrontado Sarkozy ele mesmo, pois seu primeiro discurso depois de eleito foi uma ode à tolerância e à fraternidade entre os povos. Parecia um messias falando. Até seus críticos mais ferrenhos ficaram surpresos com a mudança súbita de postura. Pode ter sido tudo pose, claro, mas pessoalmente quero acreditar que Sarkô percebeu que o povo francês não vai permitir facilmente que se perca de vista os valores que eles acreditam representar.

Não tem conclusão esse post. Talvez queira ser uma espécie de provocação. Porque às vezes eu tenho a impressão de que os brasileiros não conseguem ver tão além assim do próprio umbigo. E eu acho isso meio preocupante. Não estamos sozinhos nessa nave, não é preciso lembrar. O Líbano está em polvorosa de novo, a família de Walid, meu amigo querido, corre perigo mais uma vez. Acho que o mínimo que a gente pode fazer é saber do que se trata aquela confusão toda lá.

Wednesday, May 16, 2007

"Gostar de X" versus "X ser bom"

As pessoas gostam ou não de filmes (ou livros, ou música, o que for) por vários motivos, mas sempre há um forte componente emocional. Isso é reflexo de um fenômeno mais geral: gostamos de achar que estamos no controle, que nossas decisões são racionais, mas a neurociência atual parece indicar que raramente são. O que temos são um conjunto de racionalizações que criamos post factum, após ter decidido segundo critérios mais obscuros de nossa psiquê.

Fato é que a maioria das pessoas tende a equacionar "eu gostei de X" com "X é bom" em um silogismo meio falho. No exemplo de filmes: Eu gostei de Matrix; logo, Matrix é um bom filme. Já consigo ver pessoas nos comentários discutindo os méritos (ou falta deles) de Matrix; não é a questão aqui. A questão é pensar direito sobre essa questão; pensemos: será que tudo que eu gosto é necessariamente bom? Quem nunca gostou de alguma coisa que sabia que era ruim, seja uma novela, uma boy band ou um filme B de ficção-científica? Em inglês tem até uma expressão para isso: guilty pleasure.

Então vamos desvincular as coisas. Tenho certeza que a mãe de Fernandinho Beira-mar gosta muito dele, e que a mãe de Suzane von Richthofen gostou dela até a morte, mas isso não quer dizer que essas pessoas sejam boas. Isso vale no outro sentido também: pode muito bem existir algum livro ou filme ou música que tem incontáveis qualidades e é amado e louvado por críticos e aficcionados do mundo todo, e mesmo assim a pessoa não simpatiza com a coisa amada e louvada por todos. Alguma vergonha nisso? Existe motivo para dizer "eu AMO Fellini" quando se dormiu vendo Otto e mezzo? Eu acho que não. Tenhamos gosto próprio, por favor. Eu mesmo só vi um filme de Fellini, e achei chatíssimo.

Por isso mesmo posso comentar aqui, eventualmente, sobre livros e filmes e músicas e qualquer outra coisa que é ruim mas eu gosto. Ou que são boas mas eu não gosto, embora isso seja mais difícil porque eu prefiro comentar sobre as coisas que eu gosto, naturalmente.

Não, Matrix não está nos planos. Por enquanto.