Sunday, January 11, 2009
mas fica pior hein? fica muito pior mesmo.
porque né? My Blueberry Nights no Brasil se chama Um Beijo Roubado. medo. del hombre. medão grande, gente amiga.
Saturday, January 3, 2009
Prêmio Liniers de Versão Brasileira
Shanghai Kiss foi lançado aqui no Bananão como O Amor em Beverly Hills.
Tuesday, August 5, 2008
Versões e adaptações
Domingo foi um dia quase temático na torre que serve de QG do Samba (sim, é de marfim). Assistiu-se Asas do Desejo, seguido por um episódio de The Office (versão americana); Betty, La Fea também foi assunto de conversas do dia.
Depois de terminado o filme ocorreu uma conversa sobre The Office e a existência de outra versão; sim, originalmente era uma série inglesa que recebeu uma adaptação do outro lado do Atlântico. Diferente de outras tentativas, como Coupling, a versão americana de The Office não foi um desastre total; pelo contrário, até faz sucesso. E é boa. Mas eu comentei que, apesar da versão americana partir dos mesmos elementos, a coisa toda se desenvolve por outro rumo. Não é um remake, realmente.
E o mesmo me ocorreu depois com o filme. Sim, tem aquele americano Cidade dos Anjos, do qual não posso falar mal aqui mas enfim, é bem diferente. Chego a dizer que é outro filme. Usaram-se alguns elementos e plot points de partida do filme de Wim Wenders, mas daí o resultado é completamente outro. Será que é mesmo possível dizer que Cidade dos Anjos é uma versão de Asas do Desejo?
Essa é a questão que passo aos leitores que ainda visitam esse blog de vez em quando. Minha resposta tende ao negativo, digo logo. Mas outra questão para vocês é a seguinte: tem nada pra fazer não? Quanto tempo que isso não é atualizado, e ainda está vindo aqui?
Depois de terminado o filme ocorreu uma conversa sobre The Office e a existência de outra versão; sim, originalmente era uma série inglesa que recebeu uma adaptação do outro lado do Atlântico. Diferente de outras tentativas, como Coupling, a versão americana de The Office não foi um desastre total; pelo contrário, até faz sucesso. E é boa. Mas eu comentei que, apesar da versão americana partir dos mesmos elementos, a coisa toda se desenvolve por outro rumo. Não é um remake, realmente.
E o mesmo me ocorreu depois com o filme. Sim, tem aquele americano Cidade dos Anjos, do qual não posso falar mal aqui mas enfim, é bem diferente. Chego a dizer que é outro filme. Usaram-se alguns elementos e plot points de partida do filme de Wim Wenders, mas daí o resultado é completamente outro. Será que é mesmo possível dizer que Cidade dos Anjos é uma versão de Asas do Desejo?
Essa é a questão que passo aos leitores que ainda visitam esse blog de vez em quando. Minha resposta tende ao negativo, digo logo. Mas outra questão para vocês é a seguinte: tem nada pra fazer não? Quanto tempo que isso não é atualizado, e ainda está vindo aqui?
Wednesday, January 9, 2008
Mais do mesmo, sempre o mesmo
Só agora percebo as conexões entre quatro filmes que eu adoro. O engraçado é que uma delas eu fiz há muito tempo, mas as outras eram bastante óbvias e passaram batido total. Só agora, revendo Lost in Translation, é que completei a rede toda. E foi em duas cenas sem muita importância que eu vi as conexões, ou referências, chamem como quiserem, aparecerem. A primeira cena foi aquela em que Charlotte e Bob assistem juntos La Dolce Vita. A segunda cena foi uma mais rápida ainda, no bar do hotel deles, quando a cantora ruiva interpreta Scarborough Fair. Aí, nessa hora eu entendi tudo e me emocionei. E Teca, que via o filme comigo não entendeu nada e achou absurdo eu chorar com uma besteira tão grande. Explico-me.
Ano passado eu li um livro que me virou do avesso e me chacoalhou até eu cair toda no chão e ficar vazia. É claro que, na mesma hora, tornou-se ele meu livro preferido, desbancando da posição o honorável O Amor nos Tempos do Cólera. Eu comecei a ler cheia das maiores expectativas possíveis, influenciada por uma pessoa cuja opinião eu considero muito, e que também virou do avesso quando leu. O livro foi Norwegian Wood, de Haruki Murakami. Mas é preciso ter muita calma nessa hora.
Porque eu não estou indicando esse livro aqui. Não é uma resenha elogiosa esse texto. O que ocorre é que eu acredito muitíssimo naquela coisa de ler o livro certo no momento certo. De O Amor nos Tempos do Cólera eu teria gostado em qualquer momento da minha vida que eu tivesse lido, porque Gabriel Garcia Márquez é meu escritor preferido, e eu estou de tal forma envolvida com a obra dele que consigo amar mesmo os livros menores. O mesmo ocorre com Clarice Lispector, minha escritora brasileira preferida. Qualquer coisa que eu leia dela eu acho genial. E me identifico com tudo, sempre. Mas isso não vale, é claro, pra qualquer escritor. E obviamente não seria o caso de um japonês desconhecido.
O fato é que, dessa vez, aconteceu. Eu caí de amores pelo livro antes do final do primeiro capítulo, e soube logo que aquele era o livro da minha vida. É preciso dar um desconto grande quando eu falo isso, porque eu acredito que terei muito tempo pra ler muitas coisas ainda. Mas enfim, por enquanto, é o livro da minha vida sim. Porque fala de coisas que nesse momento me são muitíssimo familiares, é praticamente como se fosse um livro sobre mim, embora o personagem seja homem, adolescente e more em Tóquio. Não importa. A questão é a seguinte: não leiam Norwegian Wood. É uma identificação minha entendem? Não significa que é um livro genial. Mas nesse mérito, se é genial ou se é uma porcaria, eu não vou entrar aqui. Mesmo porque a estória que eu queria contar era outra. E era sobre filmes e não livros.
Pois muito bem. Eu li o livro e amei e me identifiquei e blá. Não fosse o bastante, eu me apaixonei por Toru Watanabe, o personagem principal, estudante de artes cênicas nascido em Kobe, no Japão. Me apaixonei por Toru e comecei a imitá-lo em um monte de coisas. Li os dois livros preferidos dele, O Grande Gatsby e Lorde Jim, e vi o filme de Gatsby, com Robert Redford e Mia Farrow. Depois vi o filme preferido de Toru, The Graduate. E passei a ouvir sem parar a trilha de The Graduate, em especial The Sounds of Silence e Scarborough Fair, as duas de Simon & Garfunkel, que, não por acaso eram as músicas preferidas de Toru, depois de, é claro, Norwegian Wood, dos Beatles. Enfim, eu surtei de vez por causa desse menino, como vocês podem constatar.
Tá, onde é que entram os filmes, vocês todos me perguntam juntos nessa hora. Entram no momento em que eu ouvi Scarborough Fair lá em Lost in Translation, ligando esse filme a The Graduate, e na cena em que Charlotte e Bob assistem juntos La Dolce Vita, ligando Fellini a Sofia Coppola e a Mike Nichols (de The Graduate). Aí agora é que entra a primeira conexão, que eu fiz há muito tempo, entre Maria Antonieta (De Coppola também, é sabido) e La Dolce Vita, porque foi só em que eu me lembrei enquanto via Kirsten Dunst comendo brioches e provando sapatos coloridos lá em Versailles, foi em Anita Eckberg tomando banho de noite na Fontana di Trevi, com aquele vestido preto tomara-que-caia que ninguém nunca mais na história do cinema esquecerá.
Porque vejam só. Os quatro filmes _ os dois de Coppola, o de Fellini e o de Nichols _ falam exatamente da mesmíssima coisa. A vida, cheia, repleta, abarrotada de luxos e prazeres e excessos, e que mesmo assim não tem sentido nenhum, por mais que se procure, e que é tão vazia, mas tão completamente vazia, oca, estéril, que faz com a gente só queira mesmo ficar sentada na janela, olhando a cidade lá embaixo, ou enchendo a cara o tempo todo no bar do hotel, ou dormindo ao sol na beira da piscina, ou aloprando de vez e entrando de vestido de festa e tudo numa fonte de praça, suja e fedorenta. E a coisa de crescer, a parte mais insana da vida, de sair de casa, do ninho, do próprio país e ganhar o mundo e ter que enfrentar tudo sozinho agora e ter que dar conta e casar e ter filhos e achar seu caminho e seu lugar e se satisfazer com ele e ser feliz, essa obrigação penosa.
A mesma dor, o mesmo drama, a mesma piada sem nenhuma graça, nos quatro filmes. Tudo tão familiar pra mim que chega dói. Temei, hein pessoal, o cinema, temei.
Ano passado eu li um livro que me virou do avesso e me chacoalhou até eu cair toda no chão e ficar vazia. É claro que, na mesma hora, tornou-se ele meu livro preferido, desbancando da posição o honorável O Amor nos Tempos do Cólera. Eu comecei a ler cheia das maiores expectativas possíveis, influenciada por uma pessoa cuja opinião eu considero muito, e que também virou do avesso quando leu. O livro foi Norwegian Wood, de Haruki Murakami. Mas é preciso ter muita calma nessa hora.
Porque eu não estou indicando esse livro aqui. Não é uma resenha elogiosa esse texto. O que ocorre é que eu acredito muitíssimo naquela coisa de ler o livro certo no momento certo. De O Amor nos Tempos do Cólera eu teria gostado em qualquer momento da minha vida que eu tivesse lido, porque Gabriel Garcia Márquez é meu escritor preferido, e eu estou de tal forma envolvida com a obra dele que consigo amar mesmo os livros menores. O mesmo ocorre com Clarice Lispector, minha escritora brasileira preferida. Qualquer coisa que eu leia dela eu acho genial. E me identifico com tudo, sempre. Mas isso não vale, é claro, pra qualquer escritor. E obviamente não seria o caso de um japonês desconhecido.
O fato é que, dessa vez, aconteceu. Eu caí de amores pelo livro antes do final do primeiro capítulo, e soube logo que aquele era o livro da minha vida. É preciso dar um desconto grande quando eu falo isso, porque eu acredito que terei muito tempo pra ler muitas coisas ainda. Mas enfim, por enquanto, é o livro da minha vida sim. Porque fala de coisas que nesse momento me são muitíssimo familiares, é praticamente como se fosse um livro sobre mim, embora o personagem seja homem, adolescente e more em Tóquio. Não importa. A questão é a seguinte: não leiam Norwegian Wood. É uma identificação minha entendem? Não significa que é um livro genial. Mas nesse mérito, se é genial ou se é uma porcaria, eu não vou entrar aqui. Mesmo porque a estória que eu queria contar era outra. E era sobre filmes e não livros.
Pois muito bem. Eu li o livro e amei e me identifiquei e blá. Não fosse o bastante, eu me apaixonei por Toru Watanabe, o personagem principal, estudante de artes cênicas nascido em Kobe, no Japão. Me apaixonei por Toru e comecei a imitá-lo em um monte de coisas. Li os dois livros preferidos dele, O Grande Gatsby e Lorde Jim, e vi o filme de Gatsby, com Robert Redford e Mia Farrow. Depois vi o filme preferido de Toru, The Graduate. E passei a ouvir sem parar a trilha de The Graduate, em especial The Sounds of Silence e Scarborough Fair, as duas de Simon & Garfunkel, que, não por acaso eram as músicas preferidas de Toru, depois de, é claro, Norwegian Wood, dos Beatles. Enfim, eu surtei de vez por causa desse menino, como vocês podem constatar.
Tá, onde é que entram os filmes, vocês todos me perguntam juntos nessa hora. Entram no momento em que eu ouvi Scarborough Fair lá em Lost in Translation, ligando esse filme a The Graduate, e na cena em que Charlotte e Bob assistem juntos La Dolce Vita, ligando Fellini a Sofia Coppola e a Mike Nichols (de The Graduate). Aí agora é que entra a primeira conexão, que eu fiz há muito tempo, entre Maria Antonieta (De Coppola também, é sabido) e La Dolce Vita, porque foi só em que eu me lembrei enquanto via Kirsten Dunst comendo brioches e provando sapatos coloridos lá em Versailles, foi em Anita Eckberg tomando banho de noite na Fontana di Trevi, com aquele vestido preto tomara-que-caia que ninguém nunca mais na história do cinema esquecerá.
Porque vejam só. Os quatro filmes _ os dois de Coppola, o de Fellini e o de Nichols _ falam exatamente da mesmíssima coisa. A vida, cheia, repleta, abarrotada de luxos e prazeres e excessos, e que mesmo assim não tem sentido nenhum, por mais que se procure, e que é tão vazia, mas tão completamente vazia, oca, estéril, que faz com a gente só queira mesmo ficar sentada na janela, olhando a cidade lá embaixo, ou enchendo a cara o tempo todo no bar do hotel, ou dormindo ao sol na beira da piscina, ou aloprando de vez e entrando de vestido de festa e tudo numa fonte de praça, suja e fedorenta. E a coisa de crescer, a parte mais insana da vida, de sair de casa, do ninho, do próprio país e ganhar o mundo e ter que enfrentar tudo sozinho agora e ter que dar conta e casar e ter filhos e achar seu caminho e seu lugar e se satisfazer com ele e ser feliz, essa obrigação penosa.
A mesma dor, o mesmo drama, a mesma piada sem nenhuma graça, nos quatro filmes. Tudo tão familiar pra mim que chega dói. Temei, hein pessoal, o cinema, temei.
Tuesday, December 18, 2007
Experimental e divertido ao mesmo tempo
Eu tinha a intenção de escrever um post sobre o Battles já faz um tempo, aí acabei incluindo o vídeo do post abaixo como lembrança da idéia. A demora acontece porque, cada vez mais, me dá preguiça de escrever posts longos. Ao mesmo tempo, sempre que eu penso em um assunto me vêm à mente vários outras coisas relacionadas, criando uma tendência a posts grandes, o que gera um paradoxo cerebral que ameaça os fundamentos da persona blogueira, ou algo assim.
Então aqui vai basicamente o resumo do que seria algo como uma resenha -- na verdade, mais um conjunto de impressões -- do primeiro álbum, Mirrored. A idéia principal era falar sobre música experimental, extendendo um pouco para arte experimental em geral.
Música experimental é uma empreitada arriscada, pela sua própria natureza. A idéia em si me parece extremamente válida: criar música fugindo um pouco mais das fórmulas pré-estabelecidas, já tão cansadas na nossa pós-modernidade contemporânea; algo novo, algo que não tenha sido ouvido antes. Quando não funciona, vira uma massa de ruídos estranhos e sons esquisitinhos que algumas pessoas se convencem a gostar (ou fingem) porque é cult. Mas, mesmo quando funciona, a música experimental normalmente pode ser interessante, cerebral, "viajante", intrigante até, mas quase nunca é legal ou divertida. E o Battles consegue fazer música diferente e interessante, com gosto de coisa nova, e ao mesmo tempo divertida, até dançante em alguns momentos. Claro que ser divertido não é o único objetivo válido, mas é preciso convir que essa combinação é rara.
Não só isso: as próprias músicas do álbum são bem diferentes entre si. Tem algumas características constantes, claro: a bateria de John Stanier, ex-Helmet, e os vocais sempre com efeitos. Mas de uma faixa para outra muda o suficiente para um ouvinte casual se perguntar se ainda é a mesma banda. E, ainda assim, é um ótimo álbum: das 12 músicas só umas 2 que eu não gosto tanto e pulo quando estou escutando.
Resumindo o resumo: recomendo. E importante não se deixar espantar pelo rótulo "experimental". Porque, como o Battles parece demonstrar, experimental também pode ser divertido.
Então aqui vai basicamente o resumo do que seria algo como uma resenha -- na verdade, mais um conjunto de impressões -- do primeiro álbum, Mirrored. A idéia principal era falar sobre música experimental, extendendo um pouco para arte experimental em geral.
Música experimental é uma empreitada arriscada, pela sua própria natureza. A idéia em si me parece extremamente válida: criar música fugindo um pouco mais das fórmulas pré-estabelecidas, já tão cansadas na nossa pós-modernidade contemporânea; algo novo, algo que não tenha sido ouvido antes. Quando não funciona, vira uma massa de ruídos estranhos e sons esquisitinhos que algumas pessoas se convencem a gostar (ou fingem) porque é cult. Mas, mesmo quando funciona, a música experimental normalmente pode ser interessante, cerebral, "viajante", intrigante até, mas quase nunca é legal ou divertida. E o Battles consegue fazer música diferente e interessante, com gosto de coisa nova, e ao mesmo tempo divertida, até dançante em alguns momentos. Claro que ser divertido não é o único objetivo válido, mas é preciso convir que essa combinação é rara.
Não só isso: as próprias músicas do álbum são bem diferentes entre si. Tem algumas características constantes, claro: a bateria de John Stanier, ex-Helmet, e os vocais sempre com efeitos. Mas de uma faixa para outra muda o suficiente para um ouvinte casual se perguntar se ainda é a mesma banda. E, ainda assim, é um ótimo álbum: das 12 músicas só umas 2 que eu não gosto tanto e pulo quando estou escutando.
Resumindo o resumo: recomendo. E importante não se deixar espantar pelo rótulo "experimental". Porque, como o Battles parece demonstrar, experimental também pode ser divertido.
Friday, December 14, 2007
Uma das melhores músicas do ano
Battles - Atlas (do álbum Mirrored).
A versão do clipe tem alguns cortes, a completa é ainda melhor.
Wednesday, November 28, 2007
notas mentais
1 _ começar a estudar italiano pra valer com o intuito de morar em florença num futuro bem próximo (consequência de estudar arte renascentista italiana);
2 _ parar de só conseguir ver anjinhos gorduchos e encaracolados e brejeiros toda santa vez que se propõe a reparar a forma das nuvens no céu (consequência de estudar arte barroca brasileira);
3 _ não surtar de vez e para todo o sempre porque resolveu ter aulas de história da arte;
4 _ ter muita calma nessa hora.
2 _ parar de só conseguir ver anjinhos gorduchos e encaracolados e brejeiros toda santa vez que se propõe a reparar a forma das nuvens no céu (consequência de estudar arte barroca brasileira);
3 _ não surtar de vez e para todo o sempre porque resolveu ter aulas de história da arte;
4 _ ter muita calma nessa hora.
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