Tuesday, December 18, 2007

Experimental e divertido ao mesmo tempo

Eu tinha a intenção de escrever um post sobre o Battles já faz um tempo, aí acabei incluindo o vídeo do post abaixo como lembrança da idéia. A demora acontece porque, cada vez mais, me dá preguiça de escrever posts longos. Ao mesmo tempo, sempre que eu penso em um assunto me vêm à mente vários outras coisas relacionadas, criando uma tendência a posts grandes, o que gera um paradoxo cerebral que ameaça os fundamentos da persona blogueira, ou algo assim.

Então aqui vai basicamente o resumo do que seria algo como uma resenha -- na verdade, mais um conjunto de impressões -- do primeiro álbum, Mirrored. A idéia principal era falar sobre música experimental, extendendo um pouco para arte experimental em geral.

Música experimental é uma empreitada arriscada, pela sua própria natureza. A idéia em si me parece extremamente válida: criar música fugindo um pouco mais das fórmulas pré-estabelecidas, já tão cansadas na nossa pós-modernidade contemporânea; algo novo, algo que não tenha sido ouvido antes. Quando não funciona, vira uma massa de ruídos estranhos e sons esquisitinhos que algumas pessoas se convencem a gostar (ou fingem) porque é cult. Mas, mesmo quando funciona, a música experimental normalmente pode ser interessante, cerebral, "viajante", intrigante até, mas quase nunca é legal ou divertida. E o Battles consegue fazer música diferente e interessante, com gosto de coisa nova, e ao mesmo tempo divertida, até dançante em alguns momentos. Claro que ser divertido não é o único objetivo válido, mas é preciso convir que essa combinação é rara.

Não só isso: as próprias músicas do álbum são bem diferentes entre si. Tem algumas características constantes, claro: a bateria de John Stanier, ex-Helmet, e os vocais sempre com efeitos. Mas de uma faixa para outra muda o suficiente para um ouvinte casual se perguntar se ainda é a mesma banda. E, ainda assim, é um ótimo álbum: das 12 músicas só umas 2 que eu não gosto tanto e pulo quando estou escutando.

Resumindo o resumo: recomendo. E importante não se deixar espantar pelo rótulo "experimental". Porque, como o Battles parece demonstrar, experimental também pode ser divertido.

Friday, December 14, 2007

Uma das melhores músicas do ano



Battles - Atlas (do álbum Mirrored).
A versão do clipe tem alguns cortes, a completa é ainda melhor.

Wednesday, November 28, 2007

notas mentais

1 _ começar a estudar italiano pra valer com o intuito de morar em florença num futuro bem próximo (consequência de estudar arte renascentista italiana);

2 _ parar de só conseguir ver anjinhos gorduchos e encaracolados e brejeiros toda santa vez que se propõe a reparar a forma das nuvens no céu (consequência de estudar arte barroca brasileira);

3 _ não surtar de vez e para todo o sempre porque resolveu ter aulas de história da arte;

4 _ ter muita calma nessa hora.

Monday, October 15, 2007

E me deu até vontade de ver umas pipas no céu por aqui

Eu me considero uma pessoa bem aberta a novas experimentações, culturalmente falando. Não me lembro de ter me recusado a ver um filme, ou ler um livro, ou ouvir uma música, achando que ia ser ruim. Tá, tem coisas que você já sabe que não vai gostar, tipo, detestou "Amarelo Manga", porque raios veria "Baixio das Bestas"? Tirando esses casos, eu vejo, leio e escuto de tudo, no geral.
Aí, depois de ter começado - não exatamente lido até o fim, até agora - um clássico da literatura brasileira e outro da literatura mundial, eu me disse que iria ler um livro pop. Um daqueles da lista de mais vendidos. Afinal, continuo achando difícil que um integrante de uma lista qualquer de mais vendidos seja pior que "O Código Da Vinci". E eu li "O Código Da Vinci". E gostei. Mas essa é outra estória.
Então. Eu tenho uma mãe e uma grande amiga que costumam ler os best-sellers com frequência. Não foi difícil me decidir por "O Caçador de Pipas" de Khaled Hosseini. Interessava a uma - que patrocinou a compra - e emocionou a outra - que apoiou a compra. Comecei a ler sem botar muita fé, pensando comigo que seria um bom passatempo, como "O Código Da Vinci" foi (amigos cults, podem criticar nessa hora, eu deixo. E já prevejo o que vocês dirão..).
Duas páginas depois eu estava aos prantos, amando aquela estória toda, dramática e exótica.
Terminada a leitura, o balanço, aqui e agora. Não é um livro ruim. É passatempo, quase puro e simples, não fosse por uma informação ou outra sobre o Afeganistão que eu desconhecia completamente. Não é um livro ótimo. É meloso e cheio de clichês, e aquela coisa de botar uma palavra em árabe ou farsi em cada frase cansa antes do final do primeiro capítulo. Mas, eu recomendo. Porque é aquela coisa que eu digo sempre, inteligência em tempo integral cansa deveras. Pelo menos a mim cansa. E esse é um livro que se lê de um sopro, sem maiores preocupações, mesmo sendo meio grandinho. Porque "Sagarana", minha gente, eu vou dizer, é pelo menos uma olhada no dicionário a cada parágrafo; e "Lorde Jim", eu vou dizer também, é uma olhada no mapa mundi a cada frase. E agora, nesse minuto eu tou cansada de dicionários e mapas mundi e inteligência e cultura erudita e quero mais é sossego.
Sossego nunca é demais. Às vezes. Não é verdade?

Sunday, August 19, 2007

Vai ter bolão?

Prêmios são divertidos. Eu não só costumo acompanhar o Oscar e outras premiações mais visadas do cinema, como já houve um ano em que acompanhei, via blogs, muito da politicagem envolvida nos bastidores. O problema dos prêmios é quando são levados a sério demais; aí, realmente, há injustiça, e os ganhadores são muitas vezes escolhidos por critérios que têm pouco a ver com o valor artístico da obra (alguém lembra do ano dos negros no Oscar?). Isto é, se é que alguém consegue definir objetivamente o valor de alguma coisa.

Mas, apesar disso tudo, é divertido acompanhar as decisões e louvar ou reclamar dos ganhadores, o que sempre inclui as discussões sobre quem mereceu e quem não mereceu, quem foi esquecido, etc. E nesse momento o prêmio pode até ser visto como desculpa para discutir cinema, ou literatura, ou o que seja. Nenhum prêmio nunca vai ser perfeito, mas eles são frequentemente interessantes.

Lucas Murtinho pensa parecido, e juntou alguns representantes da cartolagem da literatura nacional em torno do projeto da Copa de Literatura Brasileira: 16 livros em um mata-mata de onde só um sairá vitorioso. Vejam mais no site, mas eu com certeza vou acompanhar. O Tournament of Books, inspiração original para a Copa, é bem divertido.

Monday, June 25, 2007

Novo filme de Audrey Tautou

Este é o cartaz de Becoming Jane, filme que será lançado em breve. Mais uma cinebiografia para a coleção, desta vez da escritora Jane Austen. Na foto, podemos ver Audrey Tautou, a eterna Amélie, abraçada com quem quer que seja o ator que fará o interesse romântico dela no filme. Só que ali nos créditos não aparece Audrey Tautou, e sim Anne Hathaway, aquela de O Diabo Veste Prada.

Acho que alguém se enganou aí, ou elas brincaram de "eu faço seu cartaz e você faz o meu". Tudo bem, eu sei que não tem graça. Mas a observação procede.

Thursday, May 31, 2007

En Taro Adun!

Não sou muito da idéia de postar notícias aqui, mas há um conjunto de fatores em ação que resultaram neste post: 1) para manter a coisa fluindo 2) o acontecimento tem significância, pelo menos para mim e 3) porque eu já queria falar sobre games aqui antes; fica como estréia.

A questão é que, há alguns dias, a Blizzard -- empresa que faz uns jogos bem legais como Diablo e Warcraft -- decidiu anunciar uma notícia bombástica em um evento na Coréia do Sul. O lugar tem sua significância, já que os coreanos ficaram tão viciados nos jogos de estratégia da Blizzard que praticamente os transformaram em esportes nacionais. Os campeonatos são até transmitidos pela TV, em horário nobre. E aí todos já esperavam o anúncio de um novo jogo. E as especulações giravam em torno da continuação de StarCraft, o jogo de estratégia em tempo-real mais bem sucedido de todos os tempos, que ainda registra um número de vendas significativo apesar de ter sido lançado há quase 10 anos -- coisa rara no ramo. Dia desses mesmo, vi a caixinha à venda numa mega-store da Saraiva.

O importante, nesse ponto, é notar que especulações e boatos sobre uma continuação de StarCraft aconteciam na internet de forma repetida, transformando esse possível StarCraft 2 em algo como uma lenda, um mito; como aquelas histórias que se você não mandasse X mensagens repetidas para todos da sua lista do msn, a microsoft iria cobrar 10 centavos por cada mensagem enviada, só que mais duradoura.

Mas é que foi, é mesmo StarCraft II. Posso apenas imaginar a comoção nacional causada lá na Terra da Manhã Tranqüila. Não só isso: a Blizzard revelou que o jogo está em desenvolvimento, em segredo, já desde 2003, após o lançamento de Warcraft III. Pelo que eu vi do jogo (tem um vídeo mostrando uma demo do jogo no site) ele realmente está bem encaminhado; deve faltar mais balanceamento estratégico e criação de unidades, o engine gráfico aparenta já estar pronto.

Que venha. Só é uma pena porque ainda não foi anunciada data de lançamento, o que não adiantaria muito mesmo porque a Blizzard sempre atrasa. Com uma data, eu poderia saber com antecedência quando é que minha produtividade vai sofrer um baque. Já posso ver a cena:

"En Taro Adun, Orientador. Não, não terminei de coletar os dados, estive muito ocupado livrando o universo dos Zergs."